EDITORIAL / POLÍTICA – O que une a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o silêncio sepulcral sobre um rombo de R$ 400 milhões (Entenda o escândalo aqui) na previdência do Amapá? A resposta reside na engrenagem mais bem lubrificada de Brasília: o Centrão.
Sob o comando estratégico de Davi Alcolumbre (União-AP), o Senado Federal transformou-se em um tabuleiro onde a moeda de troca não é apenas o voto, mas a garantia da impunidade.
A Blindagem como Moeda de Troca
A indicação de Messias, oficializada neste início de abril de 2026, serviu como a cortina de fumaça perfeita. Enquanto os holofotes se voltam para o “notável saber jurídico” do indicado de Lula, nos corredores escuros do Senado, Alcolumbre opera o fechamento de três flancos que apavoram seus aliados e a si próprio:
- O Escândalo Amprev/Banco Master: Jocildo Lemos, aliado histórico e indicado de Alcolumbre para a previdência do Amapá, é o centro da Operação Zona Cinzenta. O investimento de R$ 400 milhões em um banco sob liquidação é um “cadáver” que o Centrão se recusa a enterrar, enterrando, em vez disso, a CPI do Banco Master.
- O Pacto do Silêncio: Ao segurar a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado, Alcolumbre oferece ao governo e ao próprio bloco político um salvo-conduto. Em troca, o governo Lula “atropela” ritos para garantir que os interesses do grupo de Alcolumbre sejam preservados.
O Pragmatismo do “Toma lá, dá cá” Jurídico
Para o Centrão, a ida de Jorge Messias para o STF não é uma questão ideológica, mas de sobrevivência. Um ministro “amigo” e grato ao Senado é o seguro de vida necessário para parlamentares que vêm suas bases regionais — como as de Rondônia e do Amapá — serem sacudidas por investigações da Polícia Federal.
Ao “lavar as mãos” na sabatina de Messias, Alcolumbre não está sendo omisso; está cobrando o pedágio. O governo leva a vaga na Corte, e o Centrão leva o controle das gavetas que escondem escândalos de gestão temerária e influência política atípica sobre os cofres da previdência.
Conclusão: Quem paga a conta do equilíbrio?
Enquanto o jogo de xadrez em Brasília protege os “bispos” e “torres” da política, o contribuinte e o servidor público do Amapá observam o sumiço de suas economias de uma vida inteira. O Centrão provou, mais uma vez, que sua ideologia é o poder, e sua maior habilidade é transformar crises éticas em oportunidades de negociação.
O destino de Jorge Messias está selado, não por suas virtudes, mas pelo tamanho do silêncio que o Centrão conseguiu comprar.
