FLUXO OCULTO: Nova fase da Operação Carbono Oculto mira empresários, “fintechs” e laranjas do crime organizado
Força-tarefa descobre ‘bancos paralelos’ na Faria Lima e esquema bilionário de adulteração de combustível com nafta utilizado pela facção criminosa.
Uma megaoperação nacional deflagrada nesta quinta-feira (28) trouxe à tona a impressionante sofisticação financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal brasileira. Batizada de “Fluxo Oculto” — a segunda fase da célebre Operação Carbono Oculto —, a ação mirou um ecossistema de “bancos paralelos”, empresários de elite e laranjas que blindavam o bilionário mercado de combustíveis controlado pela facção criminosa.
A ofensiva mobilizou mais de 170 policiais militares, 38 auditores fiscais, o Ministério Público de São Paulo (GAECO), a Receita Federal e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão contra alvos que lavavam dinheiro no coração financeiro do país, inclusive na Avenida Brigadeiro Faria Lima.
O “Banco do Crime” na Faria Lima
O principal avanço das investigações nesta nova fase foi a descoberta de mais seis fintechs (instituições de pagamento digitais) controladas secretamente por líderes da organização. Essas plataformas de tecnologia funcionavam como um balcão financeiro marginal e seguro para a facção.
O dinheiro vivo gerado por cerca de mil postos de combustíveis integrados à rede era transferido para essas fintechs. A partir dali, o sistema realizava:
- Compensações financeiras automáticas entre distribuidoras e postos do grupo;
- Pagamento de salários e despesas operacionais da facção;
- Ocultação de patrimônio através de fundos de investimento que cresceram mais de 200% em apenas um ano.
Fraude na Bomba: O Esquema da Nafta
Além do rombo financeiro e da lavagem de dinheiro, a força-tarefa desarticulou o braço operacional que prejudicava diretamente o consumidor. O Ministério Público denunciou um núcleo responsável pelo desvio de nafta petroquímica (um solvente forte) diretamente para terminais e postos de combustíveis.
O produto era misturado clandestinamente à gasolina, gerando lucros absurdos a partir de sonegação fiscal crônica e adulteração de produto. Os principais operadores e empresários investigados utilizavam os lucros da fraude para ostentar bens de luxo, incluindo iates, helicópteros e carros superesportivos importados.
Impacto e Desdobramentos
De acordo com os órgãos de controle, a Operação Carbono Oculto já é considerada a maior ação de combate à asfixia financeira do crime organizado na história recente do país. A Receita Federal e o MP continuam o cruzamento de dados bancários compartilhados pelo COAF para identificar novos laranjas e empresas de fachada que tentam burlar o mercado regular.
As contas das fintechs identificadas foram bloqueadas judicialmente e postos suspeitos de comercializar o combustível adulterado começaram a ser interditados pelas agências reguladoras.
“O principal avanço da força-tarefa foi descobrir que o crime organizado não opera mais apenas na sombra: ele montou uma estrutura de ‘bancos paralelos’ em plena Faria Lima para blindar um mercado bilionário.”
